terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Você sabe motivar seu filho a comer bem?

Motivar as crianças para hábitos saudáveis





O comportamento das crianças (e também o dos adultos) é condicionado por várias dimensões: biológica, psicológica e social. Assim, devemos saber que a promoção de comportamentos assumidos como saudáveis, implicam, simultaneamente, na promoção do bem-estar psicológico e social. Sabemos que as crianças que gostam de si próprias, que se sentem bem integradas em seu meio, tendem a comportar-se e a cuidarem-se melhor!

O contexto em que a criança está inserida é assim também um fator determinante em termos das opções que faz. Uma estratégia que pode contribuir para um quotidiano familiar mais harmonioso, é o pensarmos em família o que gostaríamos de ser, de fazer, o que nos faz sentir bem. Isto é, estabelecer objetivos concretos (o quê, quando, como) a atingir. É importante que cada elemento da família também mantenha objetivos próprios (“Eu”), para além dos objetivos enquanto família (“Nós”). Nomeadamente, as mães com filhos pequenos que frequentemente têm de abdicar de atividades de lazer devem, se possível, manter pelo menos um objetivo “Eu”.
Recorde-se que um dos melhores presentes que pode dar ao seu filho é sentir-se bem!

Assim, estabeleçam objetivos que os façam sentir-se bem (uns comuns, outros individuais), em termos alimentares e de atividade física é um passo muito importante.

Outro aspecto que contribui diretamente para o bem-estar emocional do seu filho, e indiretamente pode potenciar escolhas adequadas, é tornar o seu comportamento enquanto mãe/pai razoavelmente previsível. Isso é fundamental para a sua autoconfiança. Diga ao seu filho antecipadamente que o vai elogiar quando ele agir/escolher bem, assim como lhe dirá quando o comportamento dele não for aceitável para si.

Ajude o seu filho a alcançar o seu potencial máximo – apanhe-o a fazer algo certo, e elogie-o sinceramente nessas ocasiões: diga-lhe concretamente o que ele fez e expresse, pelo seu comportamento verbal e/ou não verbal, o quanto se sente bem em relação ao que ele fez. Por que não dizer que o ama e/ou dar-lhe um abraço? Quanto mais vezes elogiarmos o nosso filho por fazer algo certo, mesmo que não seja perfeito, mais rapidamente ele começa a perceber que tem capacidades e que estas são valorizadas. As crianças têm uma grande necessidade de serem reconhecidas. É um óptimo investimento afectivo que uma mãe/pai pode fazer para apoiar os seus filhos, observar /olhar e elogiar.

Nos momentos em que a repreensão é inevitável, diga ao seu filho especificamente qual o comportamento que ele teve que é inaceitável para si, e expresse como se sente em relação ao que ele fez ou disse. Deixe bem claro que embora não goste do que ele fez/disse, sabe que ele é uma pessoa com valor e que gosta mesmo dele. E quando a repreensão termina… termina!

O melhor momento para ensinar uma criança é quando ela se porta bem, pois está mais receptiva. Quando se porta mal, não se sente muito bem com ela própria e fica na defensiva, resiste.



POR QUE RAZÃO AS CRIANÇAS DIZEM “NÃO”?


As crianças gostam de consistência e previsibilidade. Por isso dizem “não” para evitar o desconhecido “Eu não quero comer essa coisa verde!”, para evitar a mudança "Eu não quero passar a ir a pé para a escola, prefiro ir de carro”, para evitar o fracasso “Eu não quero andar de bicicleta”, e para evitar a perda de controlo ”Eu não quero ir para a escola”.

Sem o desejarmos, por vezes contribuímos para a manutenção de comportamentos pouco adequados, ao prestarmos mais atenção ao nosso filho quando ele não está a colaborar do que quando colabora, ao não valorizarmos tanto quando ele diz “sim”, como quando ele diz “não”. Com este procedimento da nossa parte, as crianças aprendem que não colaborar é uma estratégia fácil para obter a atenção dos pais.

Outro aspecto a realçar é que as crianças não têm a mesma noção de tempo que os adultos, e por isso não entendem a urgência dos pais em certas ocasiões. Os pais, por sua vez, vivenciam a demora ou a recusa da criança como um desrespeito, gera-se um desconforto relacional na família. Recorde-se, por exemplo, que as crianças precisam de mais tempo que o adulto para tomarem o pequeno-almoço.

Antes de reagir negativamente quando o seu filho diz “não”, coloque estas cinco perguntas a si próprio:

Como é que eu me sentiria se estivesse no lugar do meu filho?
Levar em consideração o ponto de vista do seu filho é o primeiro passo para encontrar formas de o motivar a colaborar na promoção de comportamentos / escolhas saudáveis. Estará cansado sempre de comer peixe da mesma maneira? Será que está a ver o seu programa favorito, e por isso não o ouve? A melhor maneira de fazer com que o seu filho o escute é ouvi-lo!

Quais são as capacidades do meu filho?
Será que as suas expectativas enquanto pai/mãe não estão a ser muito elevadas? O seu filho entende as palavras que está a utilizar? As mensagens de saúde para crianças devem centrar-se essencialmente no positivo: sentir-se bem, ficar mais crescida, ter mais vontade de brincar e aprender.
Quantas instruções o meu filho é capaz de seguir?
Se pedir ao seu filho para se vestir, tomar o café da manhã (pequeno almoço), desligar a televisão e escovar os dentes, será que ele vai lembrar-se de fazer cada uma dessas coisas? Será que ele é capaz de seguir as suas instruções sem se distrair? Uma estratégia possível é, depois de ele mostrar que é capaz de seguir uma instrução, tentar dar-lhe duas e assim sucessivamente (com limites!)

Será que o meu comportamento corresponde ao que eu digo?
O seu filho costuma ver os pais a comer sopa? A tomar o pequeno-almoço antes de sair de casa? A subir as escadas em vez de ir no elevador? A fazer actividade física? A preferir água a um refrigerante? Recorde-se, as crianças aprendem pelos exemplos, pelo contexto onde estão inseridos!

FORMAS NOCIVAS DE MOTIVAR AS CRIANÇASÉ normal que os pais se irritem quando os filhos não colaboram. E isso leva muitas vezes a brigas: “Quantas vezes é que vou ter de te dizer?”, rotulem “Você é um preguiçoso!”, implorem “Faz isso à mãe!”, culpabilizem “Não me faças chegar atrasada outra vez!”, ou envergonhem os filhos “ És sempre a mesma coisa, você não aprende mesmo”. Quando estas estratégias não funcionam, os pais podem ainda recorrer a um suborno “Se te fizer tudo direitinho te dou um doce”, ou, como último recurso, ameaçar “ Se não você não tomar a sopa, você vai apanhar!“.....
Envergonhar, subornar ou ameaçar uma criança não dá resultados positivos a médio, longo prazo. Ela poderá obedecer por medo, culpa ou vergonha, mas não aprenderá as competências necessárias para fazer escolhas de forma responsável. Não desenvolverá um “educador interno”, que a acompanhará para todo o lado (e na ausência dos pais) e ajudá-la-á em todas as suas decisões.


FORMAS POSITIVAS DE MOTIVAR AS CRIANÇAS




A criança por natureza é curiosa, gosta de aprender. Estas suas qualidades são potenciadas perante um ambiente coerente com a mensagem que queremos transmitir: O nosso filho aprende a ter uma alimentação saudável na medida que lhes forem servidas refeições saudáveis e que constata que também os pais têm comportamentos alimentares saudáveis. Estimule o gosto pela atividade física, praticando-a e associando-a a momentos de diversão.

Facilite a construção de auto-confiança e auto-estima do seu filho, ajudando-o a tomar decisões, a cumprir instruções e a aceitar/reconhecer as consequências dos seus comportamentos. Por exemplo, estimule-o a pensar como se sente quando faz atividade física, quando consegue resistir a comer um pacote inteiro de bolachas enquanto vê televisão.

Algumas técnicas positivas para motivar as crianças
Compreensão

Mostre ao seu filho que reconhece que seja difícil para ele, por exemplo, almoçar no refeitório, quando alguns/muitos dos seus amigos não o fazem. E explique mais uma vez os motivos subjacentes ao ritual de almoçar no refeitório da escola. A atitude de reconhecer o sentimento do seu filho não significa ingenuidade da sua parte ou que concorde com tudo, mas sim que o compreende, que respeita as suas opiniões, o que consequentemente o motiva a colaborar consigo. Pode negociar com ele qual o dia da excepção ao ritual de almoçar no refeitório. Esta estratégia pode ser aplicada a outros comportamentos alimentares ou de actividade física. Se estiver sempre a ralhar com ele, ele acabará por deixar de lhe prestar atenção e aprenderá a usar estas mesmas tácticas ofensivas com as outras pessoas.


Ensine dando opções saudáveis para que a criança escolha
Quando permite que o seu filho escolha (entre as opções saudáveis acessíveis/existentes em casa) está a dar-lhe a oportunidade de ele praticar as competências da tomada de decisão. Por exemplo, pode dizer-lhe “Podes comer uma maça ou uma banana, a escolha é tua”.
Estas são apenas algumas estratégias possíveis, de certeza que encontrará outras, basta parar e olhar para o seu filho!

Por FÁTIMA REIS, Psicóloga Colaboradora Plataforma Contra a Obesidade da DGS

(Fonte: http://www.rituais.iol.pt/nutrição/artigos/motivarascriançaspararituaissaudáveis/tabid/348/language/pt-PT/Default.aspx)



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