sexta-feira, 31 de agosto de 2012

31/08 - Homenagem ao Nutricionista


Vivendo com A nutricionista


            Foi em uma manhã de junho de 2005 (talvez tarde de julho de 2004) que minha vida mudou. Eu era então um entediado residente de Nefrologia no Hospital das Clínicas da FMUSP camelando em sua formação profissional, já havia nove anos dentro do mesmo quarteirão universitário. Sentado no posto de enfermagem da enfermaria de Transplante Renal percebi a entrada de uma moça linda, loiríssima, iniciando seu estágio de aprimoramento em Nutrição Clínica hospitalar na disciplina de Nefrologia. Sete anos se passaram e nesse dia da nutricionista me senti compelido a responder a pergunta que todos fazem: será que ela faz isso em casa?
            Queridos amigos leitores deste blog, ela faz em casa o que prega no consultório. Mas nem sempre foi assim.
            No começo de carreira, trabalhando em Nutrição intra-hospitalar, só havia vazio e frustração com a profissão. Nutrição dentro de hospital não é nutrição. Como médico me sinto confortável para afirmar. Nutricionistas de hospital (todos) são subvalorizadas, recebem muito mal e fazem um trabalho que em nenhum momento educa os indivíduos sobre a importância da alimentação na prevenção e tratamento de doenças. Elas tentam, mas infelizmente ninguém valoriza.
            Era mudar de profissão ou desenvolver a vocação de ensinar às pessoas como comer bem sem sofrer, quebrando o estigma da nutricionista como aquela pessoa chata que atrapalha sua busca pela felicidade no alimento. A experiência hospitalar nos fez entender que mudar as influências culturais dos adultos é muito, muito difícil. Quase impossível. A esperança estava e ainda está em criar uma geração mais saudável, que não seja educada pela caixinha de Sucrilhos e pela propaganda de Danoninho (não, aquele lixo NÃO vale por um bifinho). Assim nasceu a Nutriterapia.
            De um começo pequeno há 4 anos para a situação atual foram muitas gestantes, mães e crianças que conheceram a filosofia de alimentação saudável que a Débora prega: comida saudável sempre, comidas engordativas quase nunca, frituras nunca. Cursos de educação nutricional em escolas fizeram crianças aprenderem a dar banho, cheirar e fazer carinho em frutas antes de comê-las, gerando amor pelas frutas e pela Natureza.
Juro pelo que há de mais sagrado, já vi a Débora comprar frutas batidas (comíveis) porque se a gente não comesse ninguém iria comprar e uma fruta boa iria para o lixo.
Nunca vi a Débora contar calorias.
Deixar a Débora entrar na sua vida é embarcar numa viagem filosófica. Não tem tabelas de calorias, não tem dieta de pontos, de sopa, de frutas. Não tem suplemento. Não precisamos disso. Não precisamos de demagogia. Lá em casa sempre tem fruta, sempre tem salada (inclusive in natura na hortinha em desenvolvimento). Lá em casa tem brigadeiro de aniversário, tem sobremesa em festa infantil. Acima de tudo lá em casa tem amor e respeito pela única fonte de alimentos que nos faz bem, que é a Natureza. Não há nenhum respeito ou carinho pela fonte de alimentos que só faz bem aos seus acionistas, embora vejamos com otimismo irrestrito o crescimento do mercado de alimentação saudável.
Não, não sou magro. Nem faço questão. Mas sou saudável (pelo menos no que se refere a parâmetros metabólicos). E estou melhorando. Preciso melhorar não por mim, mas para não ser uma propaganda ruim para ela. Nunca fui tão feliz com minha alimentação, e devo tudo a ela.
Hoje não é fácil sobreviver de Nutrição. Infelizmente a maioria das pessoas ainda prefere gastar rios de dinheiro em escovas progressivas (o que quer que isso seja), remédios para o colesterol ou em soluções mágicas. Mas isso vai mudar.
Tenho muito orgulho de conviver todos os dias com uma das pioneiras de uma nova geração saudável, consciente, melhor educada para comer melhor. Tenho muito orgulho de conviver com uma nutricionista que tem a Nutrição dentro de si, com um amor indescritível, só nublado pela esporádica sensação de estar pregando no escuro.
Sim, ela acredita no que fala. Ela só fala o que acredita. Não há enrolações, não há tapeações, não há malandragens para levar seus dinheiro, não há óleo de côco. Só há a convicção de que a Nutrição está nela, e não há nada que ela poderia fazer senão assumir o desafio de ensinar as pessoas a comerem melhor. Afinal, como a Débora gosta de dizer, quem faz o Marketing da Rúcula e da Pêra?
Um dia, graças a vocês, minha profissão será muito menos necessária. Vocês promovem saúde.
Um feliz dia da nutricionista para a Débora, para a Nutriterapia e para todas as nutricionistas do mundo. 
Obrigado!!
Erico Souza de Oliveira, o marido. 
            

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