segunda-feira, 21 de abril de 2014

Páscoa e outras datas comemorativas...

Oioioi pessoal, eu voltei! Sim, estou de volta há exatas duas semanas e ainda não tive tempo para parar e escrever um post sobre o final da viagem. Prometo escrever em breve, mas hoje não. Hoje quero falar sobre um tema que me incomoda muito desde antes de me formar em Nutrição. Vou aproveitar que estamos na Páscoa e falar de um evento muuuuito comum na nossa cultura.

Para falar sobre isso, vou precisar resumir um pouco minha relação com os alimentos. Prometo ser breve...
Quando eu fiz 15 anos, eu desenvolvi uma preocupação excessiva com o peso e com o que eu comia, pois eu também comia de forma pouco adequada e, consequentemente, ganhava peso com facilidade. Ninguem engorda comendo do jeito certo! Eu não cometia grandes exageros, mas sim, eu comia biscoito recheado, tomava refrigerante e outras porcarias açucaradas e industrializadas. Minha mãe, como já disse em posts anteriores, foi a responsável pela minha mudança de comportamento e hábitos alimentares. Ela passou a comprar menos porcarias para casa. Gradativamente, foi parando de comprar refrigerantes e substituiu as bebidas da casa por chás e sucos naturais.
Essa foto minha mãe me mandou hoje enquanto eu escrevia o post. Ela não sabia de nada!
Só mandou porque sabe que eu adoro e para me deixar com saudade dela...

Começou a intercalar o arroz branco com o arroz integral, e eu adorava quando chegava da escola e via que tinha arroz integral com cenoura para o almoço. Até hoje, eu adoro quando ela faz! Reduziu a compra dos nossos biscoitos e salgadinhos preferidos e, de repente, eu estava comendo muito mais frutas, verduras, carnes assadas ou grelhadas e, principalmente, peixe. Muito peixe! Minha mãe fez tudo isso sem falar nada. Sem forçar nada! Ela acompanhou meu drama, típico de uma adolescente de 15 anos, sem dar muita importância, mas sempre com muito carinho, otimismo e paciência. Aos poucos, foi introduzindo esses alimentos na rotina de casa, fez assinatura de umas revistas de alimentação e saúde (que eram muito melhores que hoje em dia, diga-se de passagem) e eu, lentamente, fui entendendo a importância dos alimentos para o corpo, a relação do corpo com as calorias e a importância de um padrão alimentar melhor, mais variado, mais natural e em quantidades adequadas.

Nas festas de final de ano ou almoços em família, sempre tinha 1 ou 2 tipos de doces e um prato enorme de frutas no centro da mesa servido antes dos doces, sempre! O exagero era opcional e consciente, pois não havia "espaço" para mais nada. Era um pedacinho de cada e ponto final. Claro que os conceitos de "perceber as sensações de fome"e "respeitar os sinais de saciedade" já haviam sido transferidos e bastava apenas uma brincadeira, um sorriso ou uma piscadela para nos apoiarmos e nos servirmos de um pequena porção, apenas para "matar a vontade".
Foi assim que eu aprendi a comer e a perceber que NENHUMA atitude passa despercebida pelo corpo. Atitudes positivas vão refletir condições positivas e o inverso também acontece, infelizmente!

Ainda preciso reprimir alguns desejos, passar algumas vontades e me policiar para comer tudo o que preciso em um dia e me permitir alguns treats* de vez em quando. E sem chororô! AMO frutas, de verdade!! Não tenho problema nenhum em não pedir sobremesa e me viro super bem com barrinhas de cereais. Aprendi a gostar de todos os tipos de alimentos e vivo muito bem, obrigada!! :)
Nada é tão gostoso quanto a sensação de estar saudável.

Nunca foi uma obrigação comer bem na minha casa. Era fácil, pois não havia nenhum tipo de cobrança, não havia mais as opções anteriores e, ainda por cima, era uma delícia. Minha irmã e meu pai não comiam. Não comem até hoje, mas todo o empenho da minha mãe funcionou comigo. Essa mudança de hábitos não mudou apenas a minha alimentação, mas minha vida como um todo e para sempre! Como vocês já devem ter percebido, minha vontade de entender melhor a alimentação e o corpo humano só aumentaram; me formei em Nutrição, fiz uma pós graduação em seguida da outra e hoje não saberia viver longe do universo maravilhoso do comer e da comida.

Durante todos esses anos como nutricionista, sempre observei com atenção a mudança no comportamento alimentar das pessoas às vésperas das festas comemorativas e esse ano não foi diferente. Percebi a mesma vontade de "jacar" de sempre das pessoas, preparando-se para comer quantidades absurdas de alimentos evitados ou abolidos da rotina. E eu me pergunto: Por quê? Pra quê??? Por que não consumir um chocolate de boa qualidade, por exemplo, de forma moderada e dentro de um contexto alimentar saudável? Seria mesmo suficiente para o cérebro (ou seja, para os nossos próprios desejos) consumir esses alimentos em grandes quantidades de uma única vez? A resposta é simples: não!

Quando consumida em um dia uma porção muito grande de determinado alimento, nota-se um aumento da avidez por ele nos dias seguintes, afinal paladar é algo que também treinamos e acostumamos. Bem ou mal. Quanto mais comemos aquilo que apreciamos, mais apreciado o alimento se torna para o nosso paladar. Isso é químico. Bioquímico! Mas... isso significa que não devemos comer nunca nossos alimentos preferidos? Não não! Muito pelo contrário. Devemos EVITAR comer regularmente alimentos pouco saudáveis OU consumi-los em pequenas quantidades dentro de um hábito alimentar equilibrado e rico em alimentos frescos e naturais.
Eu não acredito e não concordo com privações. Aliás, um dos meus lemas preferidos é: "A privação leva à compulsão". As restrições severas nunca funcionaram e, depois de incontáveis pesquisas relatando as consequências de dietas muito restritivas, hoje temos certeza que elas só contribuem para o aumento do interesse pelo "alimento condenado" e consumo superior ao anterior quando reincorporado à dieta habitual.
A dinâmica do comer é muito semelhante à do sono para o corpo. Se você não dormiu o quanto deveria em uma noite, não adianta dormir durante o dia ou dormir um sábado inteiro para repor o "sono atrasado". Não adianta! Aliás, dormir fora de hora pode comprometer toda a sua rotina de sono. A mesma regra serve para justificar a relação do que comemos com o ganho de peso.

Todos temos uma valor calórico ideal a ser consumido em 1 dia. Isso é uma das coisas que calculamos antes de preparar o cardápio de nossos pacientes. Esse total define o quanto devemos ingerir de alimentos para suprir nossa necessidade diária de nutrientes como carboidratos, proteinas, gorduras e vitaminas. Como ninguém consome nutrientes, nós, nutricionistas, transformamos esses valores em alimentos e começamos a elaborar o cardápio. O cardápio é uma sugestão dos grupos alimentares e dos principais alimentos que devem ser consumidos em um dia. Quando deixamos de ingerir um desses alimentos e colocamos outros menos saudáveis em seus lugares, dificilmente conseguiremos consumi-lo em outro momento no dia. Aí é só lembrar da analogia com o sono: compensar não ajuda em nada! Não adianta comer o dobro de salada amanhã, não adianta pular o jantar e não adianta passar a semana tomando suco detox.

O segredo da boa alimentação sempre esteve no equilíbrio entre os alimentos. E continua lá!!
Torço, do fundo do coração, para que todos os nutricionistas continuem espalhando pelo mundo os conceitos em ALIMENTAÇÃO IDEAL e contribuam para a formação de uma geração com mais saúde, menos privações e menos culpa!!!

Boa sorte e boas escolhas.
Um abraço a todos,
Débora Rosa.

*treats: mimos, prazeres, deleites... gordices! rs

Um comentário:

  1. Eu sempre achei que quando você quer você consegue....mas VOCE tem que querer e isso aconteceu com você....sem nenhum sofrimento ...e com isso nasceu uma nova MULHER....

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